Estimular, ensinar e acarinhar. São estes os ingredientes principais para tornar o seu filho num aluno exemplar.

Aprender é fácil!

Saber a matéria e ter boas notas são dois critérios que os alunos têm de respeitar. Para o efeito, é igualmente importante que todas as crianças percebam a explicação da matéria dada pelo professor. Mas nem sempre isso acontece…
Segundo Nelson Lima, neuropsicólogo e responsável pelo Instituto da Inteligência, “qualquer criança normal nasce com aptidão para aprender”, um desempenho “ligado à própria sobrevivência”, explica. Na opinião do especialista, tudo começa no ventre materno: “A aprendizagem começa a processar-se poucos meses antes do nascimento, quando o feto vai memorizando sons e sentimentos.” E ao longo dos primeiros anos de vida, as crianças aprendem “outras matérias mais complexas, tais como: a adequação dos comportamentos, os valores, os princípios morais, as regras e a organização (do tempo e do espaço)”, continua.
Em simultâneo, as crianças aprendem “a usar os sentidos, a linguagem e a tomar decisões”. E eis que, “finalmente, surge a escola”! Num processo contínuo de assimilação de conhecimentos, as crianças sentem necessidade de descobrir mais coisas novas, pelo que aprendem a aprender a matéria através do estudo.
Em suma, a apreensão começa desde muito cedo e procede-se em acto contínuo.

Estabilidade emocional é o caminho para o sucesso

De acordo com as palavras de Nelson Lima, “as aprendizagens escolares dependem de muitos factores”. Neste contexto, importa salientar a “estabilidade emocional”, pois “as crianças ansiosas, stressadas, preocupadas, inibidas ou assustadas têm maior dificuldade em motivar-se, concentrar-se e estudar”, esclarece o especialista. Em contrapartida, as crianças que manifestam felicidade têm maior apetência para aprender mais e melhor tendo, como efeito, “mais sucesso na escola”.
Uma vez que “a afectividade é também decisiva”, é fundamental que demonstre interesse nos trabalhos da escola e de casa do seu filho, e acompanhe a matéria que o pequeno aprende, todos os dias, na sala de aula. Além disso, é indispensável que haja lugar para hábitos saudáveis na rotina de toda a família, como a visita a museus e exposições, bem como a leitura, os quais “proporcionam um ambiente mais propício” para a “progressão nos estudos”, salienta Nelson Lima. Ao mesmo tempo, há que dar a devida importância aos “jogos que exijam raciocínio”, pois “podem ser muito interessantes para o desenvolvimento da flexibilidade mental”, explica o nosso entrevistado. O mesmo se aplica aos jogos desportivos, “igualmente muito produtivos para o trabalho cerebral”.
Afinal, os jogos e as viagens contribuem para a aprendizagem e a aquisição de conhecimentos. “Conhecer o mundo, para além da nossa rua ou das rotinas quotidianas, é dos exercícios mais enriqueceres, não apenas porque trazem aprendizagens novas, mas sobretudo porque provocam a ‘abertura mental’ e a flexibilização do pensamento”, frisa Nelson Lima.

Desafie o cérebro do seu filho a trabalhar

Mas haverá técnicas de aprendizagem que facilitam a aprendizagem e a compreensão nas crianças? Nelson Lima responde que, “o melhor caminho – e tendo em conta que cada criança tem características próprias e até estilos de pensar e aprender próprios –, é usar a estratégia do desafio.” Com efeito, os desafios são uma boa maneira de obrigar o ser humano a encontrar soluções para os problemas que vão surgindo, além de que “o cérebro humano está preparado para conviver com desafios (problemas)”.
Portanto, desafie o cérebro do seu filho a trabalhar “através de jogos, brincadeiras, conversas informais, recurso a filmes e ao computador”, uma vez que este “é o caminho mais acessível para flexibilizar o pensamento e tornar as aprendizagens algo de mais fácil resolução”, declara o neuropsicólogo.

Transformar informação em conhecimento

O importante é, no fundo, dar o apoio necessário ao seu filho. “Os pais (ou algum profissional) podem ajudar ainda na resolução de problemas de diferentes tipos para que as crianças desenvolvam a capacidade de observar, esquematizar e investigar. Com esse treino mental estarão mais à vontade na escola”, sublinha o especialista.
Em paralelo, é preciso ter em conta a memorização, a qual “faz sempre parte das aprendizagens”, reforça Nelson Lima. Afinal, “prender é, em primeiro lugar, registar informação”, continua, à qual se segue “a capacidade de compreender que envolve diversas tarefas onde a inteligência desempenha um papel importante, pois pode ser facilitadora da elaboração mental.” No fim, a informação recebida é “transformada em conhecimento”.
Além da memorização, são necessárias “outras ferramentas, como a linguagem falada e a escrita”. A verdade é que se o seu filho sabe a matéria, mas não consegue explicar o que aprendeu, o resultado pode ficar comprometido. “A capacidade de comunicar bem aquilo que sabe é tão importante para a criança como a capacidade de compreender”, conclui Nelson Lima.

A base da boa aprendizagem

“A leitura e a escrita ferramentas decisivas e insubstituíveis para uma boa aprendizagem do que quer que seja de natureza escolar. Mas ainda mais importante é a verbalização oral “, começa Nelson Lima. Sobre este último requisito, o especialista aponta para “uma falha muito comum nas escolas”, onde a comunicação por via oral não é trabalhada como é desejado. Logo, muitas são as vezes em que as crianças têm dificuldade em verbalizar os seus conhecimentos.
Por conseguinte, nada melhor que “propor-lhes que falem sobre o que andem a estudar, que exponham o que aprenderam ou descrevam o que sintam, vejam, ouçam ou toquem”, adianta o nosso entrevistado. Portanto, nada melhor que começar este exercício em casa. Pergunte, todos os dias ao seu filho o que aprendeu em cada aula, para que o pequeno se sinta estimulado a dar a conhecer o que apreendeu e, ao mesmo tempo, saber explicar a matéria dada. Mais do que isso, Nelson Lima propõe “que as escolas, mais do que ensinar Português ou qualquer outra língua, se ocupem, cada vez mais, em transmitir técnicas de comunicação escrita e oral.”

Nelson S. Lima
Neuropsicólogo e responsável pelo Instituto da Inteligência
Investigador na EURADEC (Associação Europeia para o Desenvolvimento da Educação)

Aprender é fácil!