Porque hoje, dia 4 de Fevereiro, se assinala o Dia Mundial Contra o Cancro, a Fábrica de Bebés escolhe o da mama como tema principal. Uma doença que regista uma elevada taxa de incidência no nosso país.

De acordo com os dados estatísticos facultados por Ana Paula Avillez, especialista em imagiologia, “uma em cada oito mulheres vem a sofrer de cancro da mama” e todos os anos surgem cerca de 4500 novos casos em Portugal, sendo a mortalidade anual “de, aproximadamente, 1500 pessoas”.
Mas há mais: “Antes dos 30 anos, o cancro da mama é muito raro (apenas 0,3 por cento dos cancros). Depois dos 35, a sua incidência começa a aumentar rapidamente, tornando-se mais gradual depois da menopausa”, adverte a nossa entrevistada. Contudo, a prevenção é a palavra-chave. Por esse motivo, é aconselhável que, todos os meses, depois dos trinta anos, proceda ao auto-exame. Para o efeito, a nossa entrevistada recomenda: “A mulher menstruada, deve fazer o auto-exame uma semana após o início do fluxo, porque as mamas estão menos tensas tornando-se mais fácil a palpação”.
Outro dos cuidados a ter em conta é a visita anual ao médico. Neste contexto, Ana Paula Avillez alerta: “Muitas vezes não existem sintomas, mas apenas alterações na mamografia e/ou ecografia.” Assim que passar a barreira dos 40 anos, é fundamental que se submeta a “uma mamografia anual habitualmente associada a ecografia mamaria”, declara. Por outro lado, a participação em programas de rasteio é igualmente vantajosa, na medida em que abre também caminho para o diagnóstico precoce, o que permite um tratamento “mais eficaz”, esclarece a especialista.

Sinais de alarme bem definidos

Entre os sintomas que podem associar-se ao cancro da mama , Ana Paula Avillez enumera:
– O nódulo que aparece na mama ou na axila;
– A mastite, em que a mama apresenta um aspecto inflamado, fica vermelha, “inchada” e, por vezes, com pele semelhante à casca de uma laranja, podendo acompanhar-se de dor.
– A retracção da pele;
– O corrimento pelo mamilo.
Mediante estes sinais de alerta, é fundamental que contacte o seu médico, que irá prescrever os exames necessários ao diagnóstico. “Para além da mamografia, da ecografia e, eventualmente, da ressonância magnética, pode ser preciso recorrer a uma citologia ou a uma biopsia para se chegar ao diagnóstico”, informa. A especialista esclarece também que “estes exames de intervenção não são dolorosos, porque são feitos sob anestesia local e não exigem tratamentos sendo, muitas vezes, realizados no serviço de radiologia.”

Em que consiste o tratamento

“É ponderado caso a caso”, explica Ana Paula Avillez, e depende de factores referidos pela nossa entrevistada. Vejamos:
– O tipo de tumor;
– O estádio em que se encontra, o qual “é determinado pelo seu tamanho e pela existência ou não de disseminação à distância (metastização)”;
– O estado de saúde da mulher, que “pode, por exemplo, ter uma doença que conta-indique a cirurgia” e/ou já se encontrar no período da menopausa.
Sobre o cancro da mama “a cirurgia está praticamente sempre indicada, sendo com frequência associada a outras armas terapêuticas, como a quimioterapia, a radioterapia, a hormonoterapia e a terapia biológica”, esclarece a especialista. Porém, a cirurgia é escolhida em função do estádio do tumor e das condições de saúde da mulher, “podendo conservar parte da mama ou implicar a sua total remoção”, informa Ana Paula Avillez, no seu livro “34 Copa B – Guia prático sobre a mama, a saúde e a sexualidade”, 1ª edição, da Academia do Livro. Sobre esta matéria, a nossa entrevista afirma que “é cada vez mais frequente a cirurgia conservadora, em que apenas é removida parte da mama, embora a mastectomia, (remoção completa da mama), esteja indicada com frequência.”

O pós-operatório das alterações físicas e emocionais

Segundo Ana Paula Avillez, o tempo de internamento varia consoante os casos, pois tudo depende da intervenção a que a mulher – ou o homem – foi submetida. No entanto, a duração “é, em média, de cinco dias”. Tudo porque podem registar-se complicações no pós-operatório, as quais são, de acordo com a especialista:
– Os seromas, que se definem por “colecções de linfa”;
– O “inchaço” do braço do lado operado, o que acontece “entre dois e sete por cento dos casos”, o qual tem de ser tratado com compressão, massagens e fisioterapia;
– As alterações da mobilidade do ombro, ao que se aconselha “o início precoce de movimentos a serem estabelecidos por profissionais”.
Por outro lado, há a componente psicológica. Todas as mulheres a quem é retirada parte ou a totalidade da mama, o primeiro impacto é angustiante. “A mulher sente-se mutilada, sendo obrigada a adaptar-se à sua nova imagem corporal”, acrescenta Ana Paula Avillez.
Como se não bastasse, “é natural que surjam medos e problemas de relacionamento nomeadamente com o parceiro sexual”, continua a especialista. Enfrentar a realidade a dois é a solução, além de que facilita o processo de recuperação, quer física quer emocional.
Por conseguinte, “habitualmente, as mulheres são acompanhadas por equipas multidisciplinares, as quais integram vários profissionais, que vão procurar melhorar a sua qualidade de vida”, assegura Ana Paula Avillez. Até porque é fundamental estimular a auto-estima e encarar a imagem corporal. Para o efeito, a especialista em imagiologia informa sobre a existência de “sutiãs e fatos de banho adaptados ao uso de próteses externas, sendo estas as soluções para quem aguarda pela cirurgia de reconstrução ou opta simplesmente por não a realizar”. Em todo o caso, é de salientar a crescente solicitação da cirurgia plástica com a reconstrução da mama, a qual “não é imediata, podendo levar vários meses até chegar à fase final”.

Países ocidentais registam mais casos

Ao contrário do que acontece nos países asiáticos, o cancro da mama é mais frequente nos ocidentais, segundo palavras de Ana Paula Avillez. Uma das causas apontadas para esta espécie de conclusão são os factores ambientais, “entre os quais a dieta”. O stress e a falta de exercício físico também se sobrepõem aos hábitos saudáveis. Tudo por causa das exigências profissionais e sociais ocorrem nos dias de hoje. Resultado: “Aumenta o risco de cancro da mama.”
A hereditariedade é outro dos factores indicativos, “embora a maioria das vezes o cancro da mama não seja hereditário”. Neste caso, porém, a nossa entrevistada assinala “as características que podem alertar para uma forma hereditária da doença”, ou seja, se:
– Surge antes dos quarenta anos;
– Há Envolvimento de vários familiares de primeiro grau, (progenitores, filhos, irmãos);
– Está registado algum caso de cancro num homem;
– Existe associação com outros cancros, nomeadamente, do ovário.

Com a colaboração de Ana Paula Avillez
Especialista em imagiologia no Hospital da Marinha
Fontes:
– “34 Copa B – Guia prático sobre a mama, a saúde e a sexualidade”, 1ª edição, Academia do Livro, de Ana Paula Avillez;
– Portal da Saúde (http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/enciclopedia+da+saude/doencas/cancro/cancro+mama.htm)